A Ilha do Sul da Nova Zelândia em autocaravana, de Kaikōura a Milford Sound
Baleias, três passos nos Alpes do Sul, glaciares, fiordes e pinguins. Um circuito de dezassete dias a partir de Christchurch, à volta da Ilha do Sul.
O grande circuito da Ilha do Sul
Na Ilha do Sul, a estrada está muitas vezes vazia. Conduz-se pela esquerda, passa-se por pontes de uma só via e para-se à noite à beira de um lago. Num só dia, deixa-se o mar da Tasmânia e a sua floresta pluvial pelos glaciares Franz Josef e Fox. O circuito de dezassete dias parte de Christchurch e dá a volta à ilha.
Os animais são uma boa parte da viagem. Em Kaikōura, há barcos que saem para ver os cachalotes. No Arthur’s Pass, os kea, papagaios de montanha, andam à volta dos carros. Nos Catlins e na península de Otago, espreitam-se os pinguins e os albatrozes.
Os Alpes do Sul atravessam-se por passos, como o Lewis Pass e as suas florestas de faias. Wānaka, Queenstown e os seus lagos estendem-se por colinas secas e douradas. A Milford Road leva a Milford Sound, e a estrada do lago Pukaki ao pé de Aoraki / Mount Cook.

A geologia da ilha
Na praia de Koekohe, a norte de Dunedin, os Moeraki Boulders são rochedos quase esféricos, com dois metros de largura nos maiores. São concreções, formadas numa lama marinha há uns sessenta milhões de anos. A falésia, à medida que sofre erosão, vai-os soltando pouco a pouco na areia. Veem-se melhor na maré baixa.
A ilha é atravessada pela falha alpina, o limite entre as placas do Pacífico e australiana. As duas deslizam uma contra a outra quase quatro centímetros por ano, e a sua pressão faz subir os Alpes do Sul. Aoraki / Mount Cook, o seu cume mais alto, mede 3724 metros.
Em Punakaiki, as Pancake Rocks são camadas de calcário, duras e moles, escavadas pela erosão: parecem pilhas de panquecas. Na maré alta, a ondulação jorra por chaminés. Nos Catlins, em Curio Bay, os tocos de uma floresta petrificada com cerca de 180 milhões de anos aparecem na maré baixa.
A canoa tornou-se a ilha, e os irmãos os Alpes do Sul.
Os nomes e as lendas māori
Em māori, a Ilha do Sul chama-se Te Waipounamu, muitas vezes traduzido por «as águas do pounamu», a pedra verde que ainda se talha em Hokitika. Desde uma lei de 1998 a favor dos Ngāi Tahu, muitos lugares têm oficialmente dois nomes, um māori e outro inglês: Aoraki / Mount Cook, Haast Pass / Tioripatea.
Segundo a tradição, Aoraki e os seus irmãos viajavam numa canoa quando esta encalhou num recife; um vento frio transformou-os em pedra. A canoa tornou-se a ilha, e os irmãos os Alpes do Sul. O glaciar Franz Josef chama-se Kā Roimata o Hine Hukatere, «as lágrimas de Hine Hukatere», uma jovem que chorava o seu amado. Em Moeraki, diz-se, os rochedos redondos são os cestos de uma canoa naufragada.

Akaroa
Uma aldeia fundada em 1840 por colonos franceses; algumas ruas ainda têm nome em francês. Fica à beira de uma longa baía, dentro de um antigo vulcão. Há barcos que saem para ver os golfinhos-de-hector, dos mais pequenos do mundo.
Informações práticas
- Quando ir
- De novembro a abril, a época do bom tempo. De maio a outubro, e por vezes até novembro, a neve chega aos passos e à Milford Road.
- Como chegar
- A autocaravana levanta-se em Christchurch, que tem um aeroporto internacional. Para entrar no país: NZeTA e taxa turística IVL, online antes da partida.
- Acesso
- Condução pela esquerda. Na Milford Road: correntes a bordo no inverno, semáforos no túnel Homer, depósito cheio em Te Anau. Pouca ou nenhuma rede no Fiordland e em Mount Cook.
- Dormir em autocaravana
- Desde 7 de junho de 2026, é preciso um «green warrant» e uma sanita fixa para acampar onde se exige um veículo autossuficiente. Muitos parques de campismo do DOC, como Cascade Creek ou White Horse Hill.
- A saber
- Reserve a saída para ver baleias, o cruzeiro em Milford, os albatrozes e os pinguins de Oamaru. A estrada do glaciar Fox está fechada desde 2019. Estacionamento pago em Punakaiki, Franz Josef e Mount Cook desde dezembro de 2025. Está em estudo um acesso pago para estrangeiros em Milford Sound e em Aoraki, não antes do verão de 2027-2028.
- Contar
- Dezassete dias; três semanas com Abel Tasman e os Marlborough Sounds, a norte.

O que não perder
- 1Milford SoundO fiorde de barco até ao mar, sob o Mitre Peak, com quase 1700 metros de altura.
- 2Os cachalotes de KaikōuraUm canhão submarino atrai-os para muito perto da costa.
- 3O Hooker Valley TrackDez quilómetros ida e volta até um lago glaciar diante de Aoraki, para fazer de manhã cedo.
- 4Os albatrozes de Taiaroa HeadA única colónia de albatrozes do hemisfério sul em terra firme.
- 5O lago TekapoA Igreja do Bom Pastor à beira da água, e um céu estrelado protegido desde 2012.
- 6A ponte de KawarauO primeiro local comercial de bungee jumping do mundo, 43 metros acima do rio.
A Ilha do Sul em imagens



As camadas de calcário das Pancake Rocks, sobre o mar da Tasmânia.
A mesa da Ilha do Sul
Kaikōura quer dizer mais ou menos «refeição de lagosta», e a lagosta come-se nesta costa. Na costa oeste, na primavera, pesca-se o whitebait, peixinhos servidos em fritada. À volta de Twizel, cria-se salmão nos canais das barragens.
O borrego vem de Canterbury e de Otago. O Central Otago produz pinot noir, à volta de Gibbston e de Bannockburn. Em Dunedin, bebe-se a cerveja Speight’s, fabricada na cidade desde o século XIX.
Circuito a partir de Christchurch
- 1Christchurch Botanic Gardens · Fyffe House · Point Kean Viewpoint
- 2Kaikoura Lookout · Waiau River Lookout · Hanmer Springs Thermal Pools & Spa
- 3Lewis Pass · School of Mines · Pancake Rocks
Grátis, sem conta — parte dos seus lugares, à sua maneira.
Um ponto de partida, algumas vontades — o ViaLooma compõe o itinerário dia a dia, com mapa, etapas e caderno de viagem.