O Alasca, de Turnagain Arm ao Denali
Glaciares à beira da estrada, braços de mar onde a maré sobe até doze metros e a montanha mais alta da América do Norte. Duas semanas em circuito a partir de Anchorage, pela península de Kenai, Denali, Fairbanks e Valdez.
Glaciares, fiordes e grandes estradas
Logo à saída de Anchorage, a Seward Highway segue Turnagain Arm, entre a falésia e um braço de mar. No verão, procuram-se aqui as belugas, e os carneiros-de-dall nos rochedos. No fundo do braço, atravessa-se de barco o lago onde termina o glaciar Portage. Um túnel de quatro quilómetros leva a Whittier, onde quase todos os habitantes vivem num só prédio.
A península de Kenai junta fiordes, rios e aldeias de pescadores. Em Seward, há barcos que partem para os fiordes, com as suas baleias e os seus glaciares. O rio Kenai é azul-turquesa, e os pescadores de salmão alinham-se nas margens em julho. A estrada termina em Homer, numa longa língua de cascalho em frente aos glaciares.
Mais a norte, a Parks Highway leva a Talkeetna, Denali e Fairbanks, através da taiga. No regresso, a Richardson Highway segue o oleoduto até Valdez. Depois de Glennallen, passa ao longo do parque de Wrangell-St. Elias, o maior dos Estados Unidos; o centro de visitantes fica à beira da estrada, em Copper Center. Em junho, é dia quase toda a noite: conduz-se às 23h em plena luz, de olho nos alces.

Turnagain Arm e o sismo de 1964
Turnagain Arm tem as marés mais fortes dos Estados Unidos, até 12 metros. Nas marés vivas, o mar sobe o braço de uma só vez: é um macaréu, uma onda que pode chegar perto dos dois metros e que se vê a partir de Beluga Point. James Cook deu a este braço o nome de «Turnagain», «dar meia-volta», porque não encontrou ali a Passagem do Noroeste. Ao longo da estrada, píceas mortas continuam de pé nos prados salgados: é a floresta fantasma.
Estas árvores morreram depois do sismo de 27 de março de 1964, de magnitude 9,2, o mais forte alguma vez medido na América do Norte. O solo afundou e a água salgada invadiu as margens. Em Valdez, o cais desabou para o mar e morreram 32 pessoas; a cidade foi reconstruída a seis quilómetros dali.
No fundo do braço, a aldeia de Portage afundou cerca de dois metros e foi abandonada. Girdwood foi reconstruída a quatro quilómetros da costa, mais acima no seu vale.
O cume fica escondido nas nuvens durante grande parte do verão.
Denali, a montanha mais alta da América do Norte
O Denali tem 6190 metros de altitude. O nome vem de uma palavra koyukon que significa «o alto». Desde 2025, o nome federal oficial voltou a ser Mount McKinley, mas o estado do Alasca e o parque mantêm o de Denali. Na primeira subida, em 1913, foi Walter Harper, um Koyukon, o primeiro a chegar ao cume. Hoje, os alpinistas partem de Talkeetna, de onde os pequenos aviões vão aterrar nos glaciares.
O cume fica escondido nas nuvens durante grande parte do verão. No parque, os carros param em Savage River, ao quilómetro 24; daí em diante, segue-se de autocarro, à procura de ursos-pardos e caribus. Em 2021, um deslizamento de terras cortou a estrada em Pretty Rocks. Uma ponte atravessa agora a zona instável: ficou concluída em setembro de 2026, e o parque prevê o regresso dos autocarros até ao Wonder Lake em 2027.

Sunrise e Hope
A Hope Highway é a única estrada que segue a margem sul de Turnagain Arm. Em 1898, Sunrise tinha 800 habitantes no verão, atraídos pelo ouro; já quase nada resta. No fim da estrada, Hope é uma pequena aldeia de casas de troncos.
Informações práticas
- Quando ir
- De meados de junho ao fim de agosto, quando tudo está aberto. No fim de maio e em setembro há mais calma, mas menos barcos e autocarros.
- Como chegar
- Aeroporto de Anchorage, com escala nos Estados Unidos ou num voo direto de verão a partir de Frankfurt.
- Acesso
- Todo o circuito é asfaltado. Muitas empresas de aluguer proíbem as estradas de terra, como a Denali Highway. Abasteça em Delta Junction: os postos de combustível são raros até Glennallen.
- Dormir em autocaravana
- Parques de campismo do estado e do parque nacional, entre eles o Riley Creek, à entrada de Denali. Guarde a comida longe dos ursos.
- A saber
- O túnel de Whittier funciona com horário alternado e fecha à noite. Os autocarros de Denali e os cruzeiros reservam-se cedo.
- Contar
- Duas semanas para o circuito.

O que não perder
- 1O túnel Anton AndersonO túnel rodoviário mais longo da América do Norte, partilhado com o comboio.
- 2Os fiordes de KenaiUm dia de barco a partir de Seward, ao pé dos glaciares.
- 3Kenai e NinilchikDuas igrejas ortodoxas sobre o Cook Inlet, memória da América russa.
- 4Thompson Pass e o desfiladeiro de KeystoneO glaciar Worthington à beira da estrada e, depois, cascatas no fundo de um desfiladeiro.
- 5EklutnaUm cemitério dena’ina com «casas dos espíritos» pintadas, perto de uma igreja de troncos.
- 6A mina IndependenceUma mina de ouro abandonada no meio dos prados alpinos.
O Alasca em imagens



O glaciar Portage sobre o seu lago, visto do trilho de Portage Pass, com o Divide Lake em primeiro plano.
A mesa do Alasca
Come-se sobretudo salmão, sockeye do rio Kenai ou salmão-rei do Copper River. Homer diz-se a capital mundial da pesca do alabote, servido em fish and chips no Spit. Prova-se também a salsicha de rena.
No verão, os mercados vendem os legumes do vale de Matanuska. No fim de agosto, a feira estadual de Palmer mostra couves gigantes, fruto dos longos dias. Bebe-se a cerveja das cervejeiras locais, como em Girdwood ou em Homer.
Circuito a partir de Anchorage
- 1Beluga Point Site · Alaska Wildlife Conservation Center · Begich/Boggs Visitor Center Portage Lake View · Prince William Sound Museum
- 2Alaska SeaLife Center · Lowell Point · Exit Glacier Viewpoint
- 3Tern Lake · Holy Assumption of the Virgin Mary Church
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