A Suíça Boémia, de Děčín a Pravčická brána
No norte da Chéquia, o Elba atravessa um maciço de arenito recortado em torres, gargantas e arcos. Esta viagem dá a volta à região em quatro dias a partir de Děčín, de Pravčická brána às gargantas do Kamenice e aos órgãos de basalto.
Um maciço de arenito à beira do Elba
De Děčín a Hřensko, a estrada segue o Elba no fundo de um desfiladeiro de arenito com cerca de 300 metros de profundidade. As encostas são arborizadas, com falésias no topo. No fim de Hřensko começa a Alemanha. É ali que o Elba sai da Chéquia, a 115 metros de altitude: é o ponto mais baixo do país.
De Hřensko, uma estrada estreita sobe até ao parque de estacionamento de Tři prameny. Daí, caminham-se cerca de dois quilómetros até Pravčická brána, um arco de arenito à beira de uma falésia. No planalto, pequenas estradas ligam Mezní Louka, Vysoká Lípa e Jetřichovice, entre clareiras e florestas.
As distâncias são curtas e os dias passam-se a pé. Deixa-se o carro, sobe-se a um miradouro por escadas talhadas na rocha e depois volta-se a descer. Nas gargantas do Kamenice, faz-se uma parte do percurso de barco. No outono, as faias ficam amarelas e as multidões do verão já se foram embora.

O arenito e o basalto
Há cerca de 90 milhões de anos, um mar cobria a região. A areia depositada no fundo transformou-se em arenito, que a água e o gelo depois fenderam e escavaram. Restam planaltos, gargantas e torres isoladas. Nas Tiské stěny, por cima da aldeia de Tisá, torres com várias dezenas de metros formam um pequeno labirinto.
Pravčická brána é o maior arco natural de arenito da Europa: 26,5 metros de comprimento e 16 metros de altura. Foram descobertas fissuras na abóbada. Desde 1982, já ninguém pode caminhar sobre o arco.
Em alguns pontos, a lava atravessou o arenito há cerca de 30 milhões de anos. Ao arrefecer, o basalto fendeu-se em colunas regulares, que as pedreiras puseram a descoberto. Em Panská skála, chamam-lhes os «órgãos», e uma pequena lagoa ocupa o fundo da antiga pedreira. No Zlatý vrch, chegam em alguns pontos aos 30 metros de altura.
Desde 1982, já ninguém pode caminhar sobre o arco.
Os príncipes, os pintores e a fronteira
O nome de «Suíça» vem de dois pintores suíços da academia de Dresden, Adrian Zingg e Anton Graff: no século XVIII, estes rochedos lembravam-lhes a sua terra. No século XIX, as famílias donas das propriedades abriram a região aos visitantes. Os Clary-Aldringen prepararam as gargantas do Kamenice para as visitas, com passadiços e barcos. Em 1882, abriram um hotel ao pé do arco, o Sokolí hnízdo. Os Kinsky equiparam os rochedos de Jetřichovice com miradouros.
Até 1945, a região falava alemão. Depois da guerra, os seus habitantes alemães foram expulsos e muitas aldeias ficaram vazias. Doubice tinha 846 habitantes em 1930; hoje restam menos de cem. O parque nacional foi criado em 2000. Em julho de 2022, o maior incêndio florestal da história moderna do país queimou ali mais de 1000 hectares. O parque deixa a floresta voltar a crescer sozinha.

A Bastei
O mesmo maciço de arenito, do lado alemão. Ali, uma ponte de pedra de 1851 liga agulhas de rocha, quase 200 metros acima do Elba. Depois da tempestade de 31 de julho de 2026, foram fechados trilhos à volta de Rathen: verifique antes de ir.
Informações práticas
- Quando ir
- De maio a outubro. No verão, Hřensko e o arco estão muito concorridos. Os barcos funcionam normalmente de abril a 1 de novembro.
- Como chegar
- Děčín fica a hora e meia de Praga pela autoestrada D8, com vinheta eletrónica, e a uma hora de Dresden.
- Acesso
- Tudo asfaltado. As estradas de Tři prameny e do Belvedér são estreitas, pouco adequadas a autocaravanas grandes. Em Hřensko, os parques de estacionamento enchem no verão.
- Dormir em autocaravana
- O campismo selvagem é proibido no parque nacional. Parques de campismo em Mezní Louka, nos limites do parque, e em Děčín.
- A saber
- Leve algumas coroas em dinheiro para as pequenas bilheteiras. A garganta de Edmund, no Kamenice, visita-se em grupo guiado a partir de Hřensko. Há trilhos que continuam fechados depois dos incêndios: confirme no site do parque antes de partir.
- Contar
- Quatro dias, mais um para a vizinha Suíça Saxónica.

O que não perder
- 1O castelo de DěčínUma rampa barroca de 292 metros; Chopin compôs ali uma valsa em 1835.
- 2O Děčínský SněžníkUm planalto de arenito a 724 metros e a sua torre de pedra de 1864.
- 3O Belvedér de Labská StráňUm terraço do início do século XVIII, a cerca de 130 metros acima do Elba.
- 4Mariina vyhlídkaUm pavilhão de madeira num rochedo, no topo de uma longa escadaria.
- 5Kamenický hradAs ruínas de um castelo do século XV e uma torre de madeira com vista.
- 6O vale de KyjovUm vale de arenito ao longo do Křinice, que se segue a partir de uma pequena barragem.
A Suíça Boémia em imagens



Um barco na água verde do Kamenice, ao pé das paredes de arenito.
A mesa da Boémia do Norte
A cozinha é a de toda a Boémia. O prato mais conhecido é a svíčková, carne de vaca num molho de legumes e natas, servida com knedlíky, fatias de pão cozido a vapor. As estalagens também servem caça e truta.
Em Česká Kamenice, uma pequena cervejaria local serve a sua própria cerveja. No café, comem-se koláče, pequenos bolos redondos recheados com requeijão, sementes de papoila ou doce.
Circuito a partir de Děčín
+12etapas- 1Zámek Děčín · Pastýřská stěna · Tiské stěny · Děčínský Sněžník
- 2Kaňon Labe · Belvedér · Hřensko · NPP Pravčická brána
- 3Soutěsky Kamenice · Jetřichovice · Mariina vyhlídka
Grátis, sem conta — parte dos seus lugares, à sua maneira.
Um ponto de partida, algumas vontades — o ViaLooma compõe o itinerário dia a dia, com mapa, etapas e caderno de viagem.